sexta-feira, 18 de maio de 2007

Eternos e ternos



Uma tarde, após algumas cervejas, não lembro se foram 4 ou 7, fiz uma aposta com Joaquim (aparece na fotografia com o indicador da mão direita apontado para a própria garganta). Tratava-se do resultado para a eleição da diretoria do Centro Acadêmico do curso de Comunicação Social - UFC. Era 1987. Valor da pendenga: duas caixas de cerveja a serem degustadas numa manhã de sábado num boteco especializadíssimo em cervejas que “mofavam” o casco ao serem retiradas do freezer e um feijão verde com queijo coalho, que nem mamãe fazia igual. Como era gostoso aquele feijão. Fortaleza inteira sabia da existência desse bar e já começavam a aparecer imitações do próprio por outros bairros da cidade. Feijão de fulano, de cicrano e por aí iam.
Chegamos no bar que aparece na foto, após participarmos de uma passeata que saíra da Reitoria, no bairro Benfica, rumo ao Centro da cidade. O dia era quente como quase todos os outros.
Naquela época os estudantes universitários militavam por causas estranhas. Quase qualquer motivo dava passeata. Eu andava com uma moçada mais chegada a passear. Passeávamos na passeata. Pelas margens do movimento. Uma espécie de inconseqüência crítica às ordens nas palavras de ordem.
Passados os discursos, íamos para nossa fé própria, discutir rumos do desconhecido por vir. Pois bem. Joaquim, remanescente do PC do B, ao qual eu era oposição, quase sempre provocador, afirma que naquele ano levaria o C.A. para as fileiras comunistas. Eu, quase sempre provocativo, retruco que o anarquismo experimental das gestões passadas não iria vergar a essa investida. Vai cuspe pra lá, cuspe pra cá, cerveja pra dentro e chegamos ao número de 48 cervejas para serem tomadas num só dia.
Marcus, esse que aparece na foto em busca de um brinde com a lente do Jarbas, companheiro da experiência de gestão sem dono nas causas da Comunicação Social, acentua a disputa: “Independente de quem ganhe, eu pago mais uma caixa”. Setenta e duas cervejas alimentaram então o restante da conversa.
Já alegre pelas 4 ou 7 ingeridas, não cheguei a imaginar como pagaria minha parte caso perdesse. Andava muito duro, como quase todos os amigos. Ficamos a conversar sobre a futura festa que viria após a eleição. Novas provocações, o tempo corria e tudo parecia muito bom.
A foto que está no Orkut do Marcus me fez reviver esse dia e encontrar com a poesia do Leminski: “Abrindo um antigo caderno, foi que eu descobri: Antigamente eu era eterno”.
Bom, veio a eleição, veio a festa no bar da Mãe do Valdir e foi um dia também eterno.

4 comentários:

Kelma disse...

parte doq ue somos hoje
são essas lembranças
bom relembrar a inquietude, alegria e celebração que ainda somos nós
que ainda estão em nós
mas que com o tempo, por vezes
deixamos no sotão de nós mesmos
em lugarzinhos tãoe scondidos
que ainda bem que um registro, uma foto, um perfume, uma música..
nos faz resgatar essas partes que nos formam
em busca de sermos inteiros
nisso reside a nossa eternidade
Que Assim Seja!!!

kleber disse...

Pois é irmã, isso é bonito. Atualizar as coisas boas em coisas boas. Abração!

lupeu lacerda disse...

do caralho seu vasto mundinho
você é foda man!
te linkei lá no meu blog.
(pra dar oportunidade do povo que me lê, olhar pra quem escreve de verdade.)
um beijo mano.

Marcus Monteiro disse...

Com certeza vivemos dias eternos!

Dias agora eternizados por suas palavras.

Palavras que trouxeram à tona as mais ternas lembranças...

Lembranças de nossas 4s ou 7s viagens+cervejas: Lagoinha (CE), Campinas (SP), Natal (RN), Farol (CE), Piracicaba (SP), Paraipaba(CE), Teresina (PI), Iguape (CE), Barreiras (BA), Goiânia (GO), Lagoinha (CE), Paracuru (CE), Guagiru (CE), Mudaú (CE), Brasília (DF), Tianguá (CE), Capim Grosso (BA), Vitória (ES), Fortaleza (CE), Colatina (ES), Gentilândia (CE).

Lembranças das aulas de Estatística, que assistíamos invariavelmente depois de uma rápida passagem pelo balcão mais próximo....

Dos cacos emocionais, e até físicos, que juntamos um do outro...

Das horas boas, hoje eternas, que passavam enquanto nós "Passeávamos na passeata".

Bem dito!

E caminhamos 4 ou 7 vezes da UFC para nossas casas...

E empenhamos 4 ou 7 canetas...

E corremos 4 ou 7 Jovitas...

E fomos, ( 4 ou 7? ), presos...

E contamos 4 ou 7 mentiras em A Tribuna do Ceará (CE)...

E pegamos 4 ou 7 "Itapemirim's"...

E contamos 4 ou 7 verdades em A Tribuna (ES)...

E vivemos 4 ou 7 anos nos encontrando 4 ou 7 vezes...

E somos amigos!!!

Sempre ternos e certamente eternos amigos!

E com certeza viveremos outros tantos dias eternos!



Ah! E por falar em lembranças:

LUPEU!!! AQUELE GRITO DOEU!!!!


E você Kleber, faz falta!