sábado, 30 de março de 2013

em qualquer data
a vida é rasa
viver vaza
em qualquer data
a vida é rasa
viver vaza

segunda-feira, 12 de novembro de 2012


a felicidade de uma fração

e perder nos termos

mantendo alguma direção

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

quando o lobo é o lobo do lobo

havendo um caminho
vislumbro alguma trilha
lobo-só, lobo-mantilha

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

No dia da criança
o melhor presente
seu dentes batendo
nos meus dentes

 
Rua Ramalhete do Tavito compõe com esse texto.

quarta-feira, 28 de março de 2012

transfiguração

fecho a porta
ela se conecta
naquilo que
lhe importa
eu não porto
sua abertura
noite adentro
aquilo que me dou
é sol na alma
onde sua carne
cola e queima
aquilo que lhe dói
e o ontem configura
gente-molho-pardo
o eu que se reparte
na vida que mistura
desmim, sou flor
desmim, sou cura

sábado, 10 de março de 2012


Nunca tive dor nos ossos.
A dor vai na carne
e rasga, e grita,
circula no sangue
e chega n'alma.
Dor nos ossos, nunca tive.
Isso agora estranho.
Como não doer aquilo
que está em mim,
tem forma, cor, peso e tamanho?
Três vezes quebrei o braço
em duas partiu-se ao meio
o cúbito e o rádio,
mas não tive dor nos ossos.
Vez em quando,
dói a alma, essa coisa dessemelhante.
Mas nos ossos que são meus, não.
Dor nos ossos, percebi
é quando a gente
querendo somente,
faz o que não precisa
e precisamente
quer doer no outro
o que arde em si.
Vai ver já tive
e de propósito esqueço,
por não querer
saber mais.
Ave os ossos!
Os meus, os vossos

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Para quem acredita que o amanhã é distante

um lugar não é o tempo.
o tempo não ventania
e vento não tem lugar.
sendo a própria montaria
o chão por baixo dos pés
faço de mim o que sou
diferente do que és
assim o jeito tá dado
o verbo anunciado
no futuro do presente
serei, deixando de ser
e sendo, depois de ter sido
vivo a cada instante
coisas do pós-indicativo

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

poesia é exposição
afeto se conformando
em luz, água e chão

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Lá lá lá para o Tito

Lá lá lá para o Tito (G – D – C)


Se partir
não precisa chorar
Se ficar
vamos comemorar
lá lá lá
lá lá lá lá lá lá lá lá lá (2x)

Se chorar
não vá se esconder
deixa estar
ouça o vento cantar lá lá lá
lá lá lá lá lá lá lá lá lá (2x)

Se disser
é um ato de fé
se calar
é melhor aguardar
lá lá lá
lá lá lá lá lá lá lá lá lá (2x)

O amor é quando
se acende uma chama
E aquece o afeto
daquele que ama
lá lá lá lá lá lá lá lá lá (2x)

domingo, 11 de dezembro de 2011

transborda o verde mar


a tua vista tem seu preço

mergulho e afogo-me

onde me encontro

e me desconheço

delírios do eu

a meta e a forma
um inseto espreita
o presente

as vezes rápido,
noutras muito
lentamente

a meta conforma
o clamor do ser
deskafkianamente

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

vejo a lua
você nua
meu teu são
teu meu
tão céu
tão chão.
vida crua
língua minha
que fraseia tua pele;
minha rua

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

quando minha ignorância perde as palavras ou o canto mudo para o mundo

lamento não é piedade
lamento é um canto
lugar que inventa outro mundo
seca com sonoridade
brota o verde pensamento
no ar que o outro respira
e ouve, e jamais será só
por isso, apenas,
lamento é coisa da alma grande
em verve pequena
o embalo para uma trilha
o balanço para um cochilo
lamento é assim
um dar passagem.
no mundo sem porteira
a vida-viagem

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Olhos-verbos


trazia guardado no bolso um poema
lhe vi e tremi, perdi a pose
fiquei meio trema
quase-sumido, consumido
pelos verdes verbos dos teus olhos

o poema mudou em mim
outros brilhos, outras cenas
agudo acento, agora chama
letras do outro que se inventa
na tua boca, na tua cama

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

inventar uma língua
entre línguas, linguagens
o amor pede passagem


pra você!

sábado, 19 de novembro de 2011

OCUPANDO O INFINITO


Simplesmente parecer
parece simples
mas ninguém nos ensina fazer,
foi assim,
muito por sentir
e quase sem querer


(pra você)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

por dentro

quando se está, se conta
a derme com derme desliza
aquilo que se abre
é aquilo que se precisa

pra você!



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

o trabalho do amor
faz do pai um filho,
de um filho; um avô
faz do sonho um fio
no fio a vida passando
sua energia, sua sensibilidade
quando o amor trabalha
a graça abençoa o tempo
e se faz aniversário todo dia
a alegria do merecimento
o espanto de quem cresce
é ser sempre pequeno



quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Quando se atravessa uma rua,
alguma rua também lhe atravessa.
Algo como o avesso, do avesso, do avesso
como amar aquilo que desconheço.
Em você, muitos cruzamentos.
Em Sampa; um novo endereço