ezequiel se foi
e nos deixou a loteria
do amor tranquilo
numa vida exagerada
ei cazuza
O mundo parece grande. Maiores são os mundinhos. Aqui se conversa sobre encontros e desencontros no vasto universo dos mundinhos
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quarta-feira, 7 de julho de 2010
quinta-feira, 12 de julho de 2007
"nosso povo"
galhos prestam-se ao vento
agora sem o tronco
agora com um tempo por inventar
agora sem a medida da desculpa
agora com o peso da palavra nova
agora como quem prova a prova
agora como quem continua
como que se despede
implacável vento das distâncias
vento das correntes frias
aquilo que bem se quis
aquilo que bem se queria
o tronco que resiste ao vento
e mesmo posto o póstumo
imprime o seu legado
de se fazer amor
pra se querer amado
agora sem o tronco
agora com um tempo por inventar
agora sem a medida da desculpa
agora com o peso da palavra nova
agora como quem prova a prova
agora como quem continua
como que se despede
implacável vento das distâncias
vento das correntes frias
aquilo que bem se quis
aquilo que bem se queria
o tronco que resiste ao vento
e mesmo posto o póstumo
imprime o seu legado
de se fazer amor
pra se querer amado
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Falar e desaparecer no outro
Capengam a filosofia e a amizade no contemporâneo. Tudo parece imbuído de um valor que se destina a um uso ou a uma troca. Estranho como nos entregamos facilmente a essas artimanhas. Lutamos por elas. Sobrevivemos nelas.
Nem sempre foi assim. Não precisa ser assim sempre. Em muitas situações da vida, a dimensão competitiva pode ser subtraída. Uma fala, um gesto, um carinho podem apenas desaparecer suavemente naquele a quem se destinam, sem que a necessidade de um troco ou correspondência instale um processo de carência. Uma maneira de resistir à cobrança a quem quero bem precisa aparecer nas relações entre as pessoas. Nem tudo que vai, precisa voltar. Afetos passageiros não demandam terapêuticas. Vão-se apenas. Outros aparecem. Conversar, falar com alguém é fundamental. Desaparecer no outro é vital.
Nem sempre foi assim. Não precisa ser assim sempre. Em muitas situações da vida, a dimensão competitiva pode ser subtraída. Uma fala, um gesto, um carinho podem apenas desaparecer suavemente naquele a quem se destinam, sem que a necessidade de um troco ou correspondência instale um processo de carência. Uma maneira de resistir à cobrança a quem quero bem precisa aparecer nas relações entre as pessoas. Nem tudo que vai, precisa voltar. Afetos passageiros não demandam terapêuticas. Vão-se apenas. Outros aparecem. Conversar, falar com alguém é fundamental. Desaparecer no outro é vital.
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Xico e seus comentadores
Vida que anda anacrônica e na fila de espera, desconhece uma ponte aérea que não envelhece e voa para a imensidão do pensamento e sentimentos inusitados. Trata-se do blog do Xico Sá, sua escrita e seus comentadores. Conversar por lá é uma ótima pedida. Motivos? Dois: atualidade e liberdade. Lá a palavra ganha a força necessária do dizer, que é a densidade mínima para alguma escuta. Ando lá e tenho escrito por lá, muito mais que aqui.
Aprendo um bocado de coisas lendo Xico e seus comentadores. História de mil e tantas noites em uma odisséia no ciberespaço.
Clica aí: < http://ponteaereasp.nominimo.com.br/ >
Aprendo um bocado de coisas lendo Xico e seus comentadores. História de mil e tantas noites em uma odisséia no ciberespaço.
Clica aí: < http://ponteaereasp.nominimo.com.br/ >
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Eternos e ternos

Uma tarde, após algumas cervejas, não lembro se foram 4 ou 7, fiz uma aposta com Joaquim (aparece na fotografia com o indicador da mão direita apontado para a própria garganta). Tratava-se do resultado para a eleição da diretoria do Centro Acadêmico do curso de Comunicação Social - UFC. Era 1987. Valor da pendenga: duas caixas de cerveja a serem degustadas numa manhã de sábado num boteco especializadíssimo em cervejas que “mofavam” o casco ao serem retiradas do freezer e um feijão verde com queijo coalho, que nem mamãe fazia igual. Como era gostoso aquele feijão. Fortaleza inteira sabia da existência desse bar e já começavam a aparecer imitações do próprio por outros bairros da cidade. Feijão de fulano, de cicrano e por aí iam.
Chegamos no bar que aparece na foto, após participarmos de uma passeata que saíra da Reitoria, no bairro Benfica, rumo ao Centro da cidade. O dia era quente como quase todos os outros.
Naquela época os estudantes universitários militavam por causas estranhas. Quase qualquer motivo dava passeata. Eu andava com uma moçada mais chegada a passear. Passeávamos na passeata. Pelas margens do movimento. Uma espécie de inconseqüência crítica às ordens nas palavras de ordem.
Passados os discursos, íamos para nossa fé própria, discutir rumos do desconhecido por vir. Pois bem. Joaquim, remanescente do PC do B, ao qual eu era oposição, quase sempre provocador, afirma que naquele ano levaria o C.A. para as fileiras comunistas. Eu, quase sempre provocativo, retruco que o anarquismo experimental das gestões passadas não iria vergar a essa investida. Vai cuspe pra lá, cuspe pra cá, cerveja pra dentro e chegamos ao número de 48 cervejas para serem tomadas num só dia.
Marcus, esse que aparece na foto em busca de um brinde com a lente do Jarbas, companheiro da experiência de gestão sem dono nas causas da Comunicação Social, acentua a disputa: “Independente de quem ganhe, eu pago mais uma caixa”. Setenta e duas cervejas alimentaram então o restante da conversa.
Já alegre pelas 4 ou 7 ingeridas, não cheguei a imaginar como pagaria minha parte caso perdesse. Andava muito duro, como quase todos os amigos. Ficamos a conversar sobre a futura festa que viria após a eleição. Novas provocações, o tempo corria e tudo parecia muito bom.
A foto que está no Orkut do Marcus me fez reviver esse dia e encontrar com a poesia do Leminski: “Abrindo um antigo caderno, foi que eu descobri: Antigamente eu era eterno”.
Bom, veio a eleição, veio a festa no bar da Mãe do Valdir e foi um dia também eterno.
Chegamos no bar que aparece na foto, após participarmos de uma passeata que saíra da Reitoria, no bairro Benfica, rumo ao Centro da cidade. O dia era quente como quase todos os outros.
Naquela época os estudantes universitários militavam por causas estranhas. Quase qualquer motivo dava passeata. Eu andava com uma moçada mais chegada a passear. Passeávamos na passeata. Pelas margens do movimento. Uma espécie de inconseqüência crítica às ordens nas palavras de ordem.
Passados os discursos, íamos para nossa fé própria, discutir rumos do desconhecido por vir. Pois bem. Joaquim, remanescente do PC do B, ao qual eu era oposição, quase sempre provocador, afirma que naquele ano levaria o C.A. para as fileiras comunistas. Eu, quase sempre provocativo, retruco que o anarquismo experimental das gestões passadas não iria vergar a essa investida. Vai cuspe pra lá, cuspe pra cá, cerveja pra dentro e chegamos ao número de 48 cervejas para serem tomadas num só dia.
Marcus, esse que aparece na foto em busca de um brinde com a lente do Jarbas, companheiro da experiência de gestão sem dono nas causas da Comunicação Social, acentua a disputa: “Independente de quem ganhe, eu pago mais uma caixa”. Setenta e duas cervejas alimentaram então o restante da conversa.
Já alegre pelas 4 ou 7 ingeridas, não cheguei a imaginar como pagaria minha parte caso perdesse. Andava muito duro, como quase todos os amigos. Ficamos a conversar sobre a futura festa que viria após a eleição. Novas provocações, o tempo corria e tudo parecia muito bom.
A foto que está no Orkut do Marcus me fez reviver esse dia e encontrar com a poesia do Leminski: “Abrindo um antigo caderno, foi que eu descobri: Antigamente eu era eterno”.
Bom, veio a eleição, veio a festa no bar da Mãe do Valdir e foi um dia também eterno.
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