segunda-feira, 12 de novembro de 2012


a felicidade de uma fração

e perder nos termos

mantendo alguma direção

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

quando o lobo é o lobo do lobo

havendo um caminho
vislumbro alguma trilha
lobo-só, lobo-mantilha

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

No dia da criança
o melhor presente
seu dentes batendo
nos meus dentes

 
Rua Ramalhete do Tavito compõe com esse texto.

quarta-feira, 28 de março de 2012

transfiguração

fecho a porta
ela se conecta
naquilo que
lhe importa
eu não porto
sua abertura
noite adentro
aquilo que me dou
é sol na alma
onde sua carne
cola e queima
aquilo que lhe dói
e o ontem configura
gente-molho-pardo
o eu que se reparte
na vida que mistura
desmim, sou flor
desmim, sou cura

sábado, 10 de março de 2012


Nunca tive dor nos ossos.
A dor vai na carne
e rasga, e grita,
circula no sangue
e chega n'alma.
Dor nos ossos, nunca tive.
Isso agora estranho.
Como não doer aquilo
que está em mim,
tem forma, cor, peso e tamanho?
Três vezes quebrei o braço
em duas partiu-se ao meio
o cúbito e o rádio,
mas não tive dor nos ossos.
Vez em quando,
dói a alma, essa coisa dessemelhante.
Mas nos ossos que são meus, não.
Dor nos ossos, percebi
é quando a gente
querendo somente,
faz o que não precisa
e precisamente
quer doer no outro
o que arde em si.
Vai ver já tive
e de propósito esqueço,
por não querer
saber mais.
Ave os ossos!
Os meus, os vossos

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Para quem acredita que o amanhã é distante

um lugar não é o tempo.
o tempo não ventania
e vento não tem lugar.
sendo a própria montaria
o chão por baixo dos pés
faço de mim o que sou
diferente do que és
assim o jeito tá dado
o verbo anunciado
no futuro do presente
serei, deixando de ser
e sendo, depois de ter sido
vivo a cada instante
coisas do pós-indicativo

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

poesia é exposição
afeto se conformando
em luz, água e chão